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Revista Mensageiro - Junho de 2018
Vol. 124
Nº 1361
Junho de 2018
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Palavra do Diretor Nacional:

Coração de Cristo, que tanto nos amais!


A coroação da imagem do Sagrado Coração de Jesus é uma prática bonita de muitas comunidades neste mês de junho. Recordo-me da intensa preparação que ocupava tanto dona Neusa Cade, minha catequista, como a nós que devíamos aprender cantos, preparar as vestes e os objetos para a coroação. Era sempre uma espera que valia a pena: seja pela espiritualidade do momento, pelos gestos e sinais, pelos aplausos, seja pela confraternização que nos era oferecida no final do mês de junho.

O tempo muda tudo, mas essa boa prática permanece em muitas de nossas igrejas, mesmo que hoje não seja tão fácil encontrar crianças e jovens em nossas comunidades. Nosso povo é criativo: são zelados e zeladores em muitas paróquias que preparam com esmero tanto o mês como a festa do Coração de Jesus, com procissões, cantos, ladainhas e coroação.

Sabemos que Jesus é um rei diferente. Sua primeira coroa foi de espinhos, sinal de castigo e do ódio dos algozes. Seu sangue derramado na fronte derramou-se também do lado aberto pela lança do soldado. Sua segunda coroa é a da vitória, garantida pelo Pai Eterno, que não o deixou entregue à sorte dos perversos. Ele recebeu a coroa da justiça, a mesma que está reservada para todos nós, como nos diz São Paulo.

A espiritualidade que surgiu na história da Igreja tendo como referência o Coração de Cristo nos quer ajudar a valorizar sempre mais esse Coração que tanto nos amou, dando sua própria vida para que nossa vida não tenha final. Ter os sentimentos de Cristo é dar testemunho do Evangelho de Jesus. O Papa Francisco insiste numa "Igreja em saída", que não fica contente com o que acontece apenas no seu interior. É preciso sair, visitar, consolar, dar apoio, rezar juntos etc.

A grande apóstola do Sagrado Coração, Santa Margarida Maria Alacoque, legou à Igreja um grande tesouro para que possamos nos aproximar do Coração de Cristo e saciar-nos do que Ele nos oferece: sangue e água derramados para a vida da humanidade.

A Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração) recebeu a incumbência de cuidar da devoção e espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus. É nosso dever propagar as "promessas" confiadas a Santa Margarida e ajudar as pessoas a compreenderem a grandeza dessa espiritualidade. Todos os dias nós pedimos que o "nosso coração seja semelhante ao de Jesus". Oferecendo nossas vidas pela missão da Igreja, estamos em comunhão com os desafios da humanidade que o Papa nos dá mensalmente na intenção de oração.

Há um texto da profecia messiânica de Isaías que diz assim: "uma criança os guiará" (Is 11,6). Deixar-se guiar e conduzir por uma criança parece uma tarefa difícil. Deus confunde nossos planos e projetos. Tantas vezes revira tudo o que pensamos, nem sempre de acordo com o pensar d'Ele. As crianças revelam tanto a beleza quanto a pureza, atributos de Deus. Ensinam-nos também a complicar menos as coisas: a dinâmica infantil é a da proximidade, do interesse, da novidade, da gratuidade. Nada muito sério parece coisa de criança. Quanto mais sério, mais adulto. Ah, se aprendêssemos mais das crianças! O próprio Jesus vai recordar que no céu só haverá lugar para quem for como as crianças.

Santa Teresinha do Menino Jesus deixou para a Igreja um Tratado sobre a Infância Espiritual. No dia 6 de agosto de 1897, em confidência à sua irmã Inês, ela explica o que entendia por "permanecer criancinha" perante o bom Deus: "É reconhecer o seu nada, é esperar tudo do bom Deus, assim como uma criança pequena espera tudo do pai; é não se preocupar com nada e, de modo algum, fazer fortuna. Mesmo entre os pobres, dá-se à criança o que lhe é necessário, mas assim que ela cresce o pai não quer mais alimentá-la, dizendo-lhe: 'Agora vá trabalhar, você pode se sustentar'". Ela define o que é ser pequena: "Permaneci, então, sempre pequena, tendo uma só ocupação: colher flores, as flores do amor e do sacrifício, oferecendo-as ao bom Deus, para seu agrado".

Ao Coração de Jesus queremos suplicar um coração grande para amar e sempre pequeno para cuidar das coisas de Deus neste mundo, sem preocupar-nos tanto com o que comer, o que vestir, o que economizar, o que fazer, o que dizer... um pouco mais de confiança alarga nosso coração e o faz bem mais parecido com o de Jesus.

Pe. Eliomar Ribeiro, SJ, Diretor Nacional da Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração e MEJ), e Diretor de redação da Revista Mensageiro do Coração de Jesus
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