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Revista Mensageiro - Março de 2019
Vol. 125
Nº 1368
Março de 2019
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Palavra do Diretor Nacional:

Bendito seja Deus pela vida


Dom Oscar Romero, recentemente canonizado, tinha 63 anos quando foi assassinado enquanto celebrava a Missa na Capela de um Hospital em San Salvador, América Central. Vida ceifada porque defendia o direito do povo confiado ao seu pastoreio como Bispo. Seu sangue misturou-se ao de Cristo, quando foi alvejado ao levantar o cálice na consagração.

Roger Schütz, fundador da Comunidade de Taizé, na França, foi assassinado durante a oração da tarde: estava com 90 anos. Uma vida toda dedicada ao diálogo entre as Igrejas cristãs. Homem simples, de olhar límpido, silencioso e atento ao bem das pessoas.

Dom Antônio Possamai, bispo emérito de Ji-Paraná, faleceu recentemente com 89 anos. Aprendeu com a espiritualidade do fundador de sua Congregação, Dom Bosco, a cuidar de cada pessoa em situação de miséria e de necessidade. Gastou toda a sua vida na defesa dos pobres e indígenas dessa região do Brasil, cobiçada por empresas de agronegócios.

Amélia, minha avó, faleceu em casa, na cama que foi sua companheira por tantos anos: estava com 96 anos. Gastou a vida toda em cuidar da família, olhos atentos ao bem que devia fazer. Mulher forte, de muita oração, aprendeu no Apostolado da Oração a oferecer a vida diariamente.

Padre Libanio, irmão jesuíta, veio a falecer com 81 anos, enquanto orientava um Retiro Inaciano para algumas religiosas no Paraná. Homem de grande inteligência, dedicou sua vida a aprofundar a ciência da teologia. Ajudou na formação de muita gente, e seus escritos continuam a formar gerações de seminaristas, religiosos e leigos.

Essas pessoas têm em comum a sabedoria da vida que vem acompanhada pela idade. O Papa Francisco nos brindou, no final do ano passado, com o livro "Sabedoria das idades", em que vai dialogando com pessoas idosas do mundo todo. É um livro para ser rezado, pois cada testemunho nos abre uma janela para o horizonte. A edição brasileira ainda conta com o testemunho de pessoas do nosso convívio. Entre elas está dona Petronilha, que completou em janeiro 109 anos. Ela acumula 94 anos de pertença ao Apostolado da Oração. É mineira, mas vive em Ubiratã, PR. Quanta sabedoria de vida carrega em seu coração essa senhora!

Na Sagrada Escritura identificamos personagens importantes que se destacam também pela idade e pela sabedoria. É preciso ampliar a voz do testemunho dos que viveram muito, carregam consigo a experiência acumulada pelo tempo.

Algumas pessoas olham para o Apostolado da Oração e dizem que é um grupo formado por pessoas muito envelhecidas, como se isso fosse um demérito. Ao definir o AO como "serviço eclesial" no novo Estatuto, o Papa afirma que a oração é missão, portanto, independe da idade dos membros do AO. O que conta é a disponibilidade interior para ajudar na missão da Igreja. Rezar é um serviço importante!

Os mais velhos estão atentos a dimensões da vida com que os mais novos não se preocupam: o futuro, o cuidado, o bem-estar, a saúde etc. São preocupações importantes numa cultura cada vez mais do tempo presente, sem muita ligação com o passado e sem perspectiva de futuro. Os mais velhos garantem a memória da história. Nada começa simplesmente comigo e termina comigo. Somos frutos e herdeiros de uma corrente histórica que perpassa a vida como as águas dos rios, que correm para o mar.

O pai misericordioso do Evangelho de Lucas é a sabedoria de quem viveu mais e pode compreender melhor tanto o filho mais novo, aventureiro, cheio de ideais e sonhos novos que sai de casa, quanto o filho mais velho, que mesmo estando em casa é como se estivesse fora, não se sente a gosto na casa paterna. O pai dessa parábola está sempre atento e preocupado, confiante de que o filho mais novo vai retornar e surpreso com a atitude do filho mais velho. Mas quem viveu mais é capaz de compreender melhor quem menos viveu.

Certamente, a melhor contribuição que daremos aos demais e a nós mesmos é aprender a conviver com nossa realidade e não focar somente em nossos problemas. Afinal de contas, o mais importante é o bem que fazemos, seja ele grande ou pequeno. O que levaremos desta vida? O bem que tivermos feito. Todo gesto de bondade é esperança e certeza da eternidade.

Pe. Eliomar Ribeiro, SJ, Diretor Nacional da Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração e MEJ), e Diretor de Redação da Revista Mensageiro do Coração de Jesus
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