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Revista Mensageiro - Novembro de 2019
Vol. 125
Nº 1375
Novembro de 2019
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Palavra do Diretor Nacional:

Santidade: amar, cuidar e defender


No sétimo capítulo do livro do Apocalipse temos um convite imperativo que nos leva à compreensão do caminho de santidade que Deus nos oferece: "Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus" (Ap 7,2).
Quando olhamos ao nosso redor, podemos identificar diversas ofertas e propostas para alcançar a santidade. Algumas propostas aparecem mais como esforço pessoal do que como acolhida da graça de Deus. Afinal de contas, somente quem entra na dinâmica da graça santificante que o Senhor nos oferece é capaz de já experimentar o que significa ser santo.
Como gostava de dizer Madre Teresa de Calcutá, não é o tanto que fazemos, mas o modo e a quem fazemos que conta. Hoje há pessoas que se contentam em multiplicar promessas e orações - quase como correntes - e não se dão conta de que a santidade nem sempre passa por esse caminho.
A dinâmica que Cristo nos propõe no Evangelho é simples e exigente: santo é aquele que ama a Deus e ao próximo; santo é aquele que é bom samaritano; santo é aquele que é capaz de deixar as noventa e nove ovelhas para ir ao encontro da ovelha perdida; santo é aquele que dá seus bens aos pobres e não se apega a nada; santo é aquele que acolhe, aquele que visita, aquele que chora, aquele que defende a vida, aquele que dá água a quem tem sede e comida a quem tem fome etc.
O Papa Francisco, na última carta que escreveu sobre o "Chamado à santidade", lança um forte convite a que nos demos conta de que pessoas santas estão próximas de nós, são os "santos ao pé da porta": pais e mães que criam seus filhos, homens e mulheres que trabalham duro para trazer o pão para dentro de casa, doentes e idosos que continuam a acreditar na vida e a sorrir. São pessoas que vivem o dia a dia com amor, alegria, honestidade e competência.
E como podemos ser santos? É a pergunta que muitos fazem. O processo é dinâmico, vai se revelando à medida que formos nos configurando e nos identificando com Cristo. É uma ação transformadora do Espírito Santo que nos molda e transforma quando lhe damos abertura. Sendo a santidade um desejo de Deus, Ele mesmo vai nos oferecer situações e pessoas para que possamos alcançar a meta.
Podemos dizer que a santidade brota do cuidado essencial com a "casa comum". Nada deve ficar fora do nosso horizonte. Como diz o Apocalipse, é preciso cuidar da terra, das águas, das árvores. Cuidar do meio ambiente que nos foi dado como presente. Não podemos separar a fé cristã do cuidado com os bens que nos são ofertados. A separação entre a vida e a fé professada e celebrada tem feito um estrago muito grande na vida de muitas pessoas. Qualquer modo exagerado de apego a Deus e fuga do mundo leva as pessoas a formas estranhas de expressão da própria fé.
O processo de revisão e recriação que estamos oferecendo aos grupos do Apostolado da Oração (Rede Mundial de Oração do Papa) e do MEJ quer contribuir para uma compreensão melhor do que a Igreja nos pediu desde as origens - oferecer a vida para sustentar a missão, avaliar a vida diariamente, rezar com as intenções do Papa. Tudo isso para ampliar a tenda pessoal do caminho da própria santificação e do testemunho do amor de Cristo a que somos chamados. Desejar ardentemente que nosso coração seja semelhante ao de Cristo e assumir atitudes diárias para tal é o que nos faz santos diariamente.
Vamos nos dando conta de que quem padece toda sorte de abandono, de enfermidade, de descuido, de desprezo, de violência, de degradação, de depressão, é Cristo que nos solicita amor, cuidado e proteção. Não posso virar as costas e o coração e fazer de conta que isso não existe. Há uma imensa multidão que sofre na pele as dores impostas pelo mundo. Como gostamos de cantar, "entre nós está e não o conhecemos, e nós tantas vezes o desprezamos".
Desejar o céu brota de uma vontade de vivê-lo já aqui na terra, sobretudo quando saímos de nós mesmos para irmos ao encontro de Cristo nas fronteiras do mundo. Alguns santos e santas nos revelaram isso: Dulce dos pobres, Teresa de Calcutá, Francisco de Assis, Pedro Claver, José de Anchieta, Madre Paulina, Daniel Comboni, Luciano de Almeida, Hélder Câmara. Essa lista poderá ser completada por você, inclusive com seu próprio nome!
Que Deus nos conceda a graça de sermos santos como o Pai celeste é santo!

Pe. Eliomar Ribeiro, SJ, Diretor Nacional da Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração e MEJ), e Diretor de Redação da Revista Mensageiro do Coração de Jesus
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