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Revista Mensageiro - Julho/Agosto de 2018
Vol. 124
Nº 1362
Julho/Agosto de 2018
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Palavra do Diretor Nacional:

Família humana e divina


O mundo só terá futuro se cuidarmos dele. Parece assustador pensar que podemos ir destruindo tudo o que necessitamos: bens, natureza, animais, pessoas. Muita gente quer fazer Deus pagar a conta por nossos erros e escolhas malfeitas. É mesquinho pensar que Deus permanece imóvel olhando a desgraça acontecer, mas é erro maior pensar que Deus está brincando com a humanidade.

Jesus nos revelou o rosto do Pai e o modo como Deus faz as coisas: quer o bem de todos, não exclui ninguém, não privilegia e nem procura agradar ninguém. O que Deus quer para nós é o melhor; e se somos capazes de perceber e discernir sua vontade e tomar decisões que nos fazem felizes, vivemos na sua graça e presença e não frustramos o seu projeto.

Nossa família humana é formada de pai, mãe e filhos. É um grande mistério de amor a constituição e a vivência familiar. São pessoas tão diferentes que se unem, nascem os filhos. Cada filho é um fruto também diverso no caráter e na aparência. Depois surgem as escolhas, os desejos, os projetos... cada pessoa é uma pedra preciosa do mosaico da família. Ninguém é melhor que ninguém! Ninguém é maior que ninguém!

A arte de viver juntos, seja na família como em qualquer grupo social, é aprender a valorizar o outro. Será o respeito pelo outro que vai me fazer ser respeitado. Aprendo muito quando não me fecho em meu mundinho. Somos seres em relação com tudo o que nos rodeia e isso nos enriquece muito.

Na exortação apostólica Amoris Laetitia, o Papa Francisco nos disse que "a aliança de amor e fidelidade, vivida pela Sagrada Família de Nazaré, ilumina o princípio que dá forma a cada família e a torna capaz de enfrentar melhor as vicissitudes da vida e da história. Sobre este fundamento, cada família, mesmo na sua fragilidade, pode tornar-se uma luz na escuridão do mundo" (AL 66).

É no ambiente da família que também vamos nos santificando. Na exortação apostólica Gaudete et Exsultate - sobre o chamado à santidade, o Papa Francisco afirma que nós nos tornamos santos vivendo as bem-aventuranças, que é o caminho principal "contra a corrente" da direção para onde o mundo caminha.

O chamado à santidade é para todos. A Igreja sempre ensinou que é um chamado universal e possível a qualquer um, como demonstrado por inúmeros santos muito próximos de nós. A vida de santidade está assim intimamente ligada à vida de misericórdia, "a chave para o céu". Santo é quem sabe comover-se e mover-se para ajudar os miseráveis e curar as misérias que afligem as pessoas. É preciso negar as heresias antigas e atuais sendo "capaz de viver com alegria e senso de humor".

Há um caminho de perfeição para cada um e não faz sentido desencorajar-se contemplando "modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis" ou procurando "imitar algo que não foi pensado para ele". "Os santos, que já chegaram à presença de Deus, nos protegem, amparam e acompanham", afirma o Papa. Porém, a santidade a que Deus nos chama, irá crescendo com "pequenos gestos" cotidianos, tantas vezes testemunhados por "aqueles que vivem próximos de nós", a do marido ou da esposa que cuida do próprio cônjuge, do trabalhador que faz bem sua função, dos avós que ajudam os netos, das autoridades que pensam no bem comum e não somente no próprio bolso. É a santidade dos gestos de cada dia, do oferecimento diário de nossa vida, das orações e preces oferecidas, da revisão do coração, da preocupação com quem sofre, da disponibilidade interior para ajudar Cristo em sua missão.

O caminho da santidade é vocação para todos: leigos, padres, bispos, papas, diáconos, consagrados e consagradas. O ambiente familiar é lugar propício para fazer germinar o desejo da santidade. Quando descobrimos a história de vida de Santa Teresinha do Menino Jesus, notamos que foi no seio da família que ela aprendeu as coisas mais importantes de sua vida. Seus pais a nutriram com o alimento da fé desde cedo.

Crescer em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e das pessoas com as quais convivemos é o processo vivido por Jesus em sua adolescência. Santo Inácio de Loyola dizia que "a vitória mais bela que se pode alcançar é vencer a si mesmo". Peçamos a sabedoria de Deus para subir diariamente mais um degrau na grande escada da santidade que está diante de nós. Não desanimar e não cansar é a arte de deixar-se conduzir pelo Espírito Santo de Deus que nos santifica na caminhada.

Pe. Eliomar Ribeiro, SJ, Diretor Nacional da Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração e MEJ), e Diretor de Redação da Revista Mensageiro do Coração de Jesus
MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS é uma publicação de Edições Loyola - Rua 1822 nº 341 - São Paulo - SP - Tel.: 11 3385-8555 | 2063-4275 | 3385-8501
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